Trade Finance em 2012 – Ásia Cresce, Europa Cai, Brasil Indefinido
Pesquisa realizada pela Câmara Internacional de Paris (ICC) e pelo Fundo Monetário Internacional (IMF) junto a 337 bancos de diversos portes de todos os mercados mundiais sobre expectativas de financiamento ao comércio exterior em 2012 mostram que a demanda continuará forte na Ásia e fraca na Europa. No geral, a expectativa para 2012 é de queda.
Cerca de 60% dos respondentes do ICC-IMF Market Snapshot - January 2012 acham que a demanda por produtos bancários de trade finance irá crescer em 2012 junto aos bancos asiáticos de todos os portes enquanto que 50% considera que vai haver queda na demanda por este tipo de serviço no mercado europeu.
Na América Latina e no Caribe as opiniões estão divididas. A pesquisa revela que 32% dos bancos acreditam em crescimento enquanto 38% votou em estabilização e 8% em deterioração. Os restantes 22% não sabem. Em resumo: mercado indefinido.
Para os demais mercados avançados, exceto zona do Euro, 19% acredita em crescimento; 53% em estabilização; 22% em deterioração e 21% não sabem. De certa forma, é uma visão otimista, se pensarmos que neste meio se encontram os Estados Unidos e o Japão nos quais há dois anos certamente apresentavam uma visão de curto prazo pessimista.
O principal fator que alimenta o pessimismo, segundo 89% das respostas, é a redução drástica das linhas de crédito destinados ao comércio exterior entre os bancos privados e, em segundo lugar, com 80% das respostas, está o declínio das linhas de crédito de instituições internacionais. Com exceção da Ásia, vai faltar crédito para o comércio exterior.
Se estas expectativas do setor financeiro se mostrarem corretas, a primeira conseqüência que todos os mercados devem esperam é um aumento da concorrência dos produtos asiáticos, sobretudo os chineses, que competem com um mix de mão-de-obra competitiva,escala de produção e farto trade finance.
Isto resulta no terceiro fator de pessimismo identificado pela pesquisa para queda do trade finance, com 78% das respostas: uma queda livre da demanda por atividades de comércio nos países fora da Ásia.
A segunda conseqüência está na forma de pagamento que irá ganhar destaque no comércio exterior este ano – o pagamento antecipado (in advance) e, tudo isso somado, uma terceira conseqüência: a queda dos preços internacionais dos produtos industrializados, mas não das commodities, haja vista que espera-se que a Ásia continue a demanda.
Para o Brasil, o cenário para 2012 é um copo pela metade.
Se você for otimista, verá o copo meio cheio, com nosso intercâmbio comercial (exportações + importações) em trajetória de crescimento devido à manutenção dos preços das commodities consumidas pela Ásia, cada vez mais forte e dominante.
Se você for pessimista, verá o copo meio vazio, com os produtos industrializados brasileiros perdendo espaço no exterior e no mercado doméstico para os importados.
Claudio César Soares, 49, é Diretor da Export Manager Trading School.
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